Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

A canção desesperada (Pablo Neruda)

Em razão do pedidos no Facebook, segue a íntegra do poema.

Aparece tua recordação da noite em que estou.
O rio reúne-se ao mar seu lamento obstinado.

Abandonado como o impulso das auroras.
É a hora de partir, oh abandonado!

Sobre meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos!

Em ti se ajuntaram as guerras e os vôos.
De ti alcançaram as asas dos pássaros do canto.

Tudo que o bebeste, como a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!

Era a alegre hora do assalto e o beijo.
A hora do estupor que ardia como um faro.

Ansiedade de piloto, fúria de um búzio cego
túrgida embriaguez de amor, Tudo em ti foi naufrágio!

Na infância de nevoa minha alma alada e ferida.
Descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!

Tu senti-se a dor e te agarraste ao desejo.
Caiu-te uma tristeza, Tudo em ti foi naufrágio!

Fiz retroceder a muralha de sombra.
Andei mais adiante do desejo e do ato.

Oh carne, carne minha, mulher que amei e perdi,
e em ti nesta hora úmida, evoco e faço o canto.

Como um vaso guardando a infinita ternura,
e o infinito olvido te quebrou como a um vaso.

Era a negra, negra solidão das ilhas,
e ali, mulher do amor, me acolheram os seus braços.

Era a sede e a fome, e tu foste à fruta.
Era o duelo e as ruínas, e tu foste o milagre.

Ah mulher, não sei como pode me conter
na terra de tua alma, e na cruz de teus braços!

Meu desejo por ti foi o mais terrível e curto,
o mais revolto e ébrio, o mais tirante e ávido.

Cemitério de beijos,existe fogo em tuas tumbas,
e os racimos ainda ardem picotados pelos pássaros.

Oh a boca mordida, oh os beijados membros,
oh os famintos dentes, oh os corpos traçados.

Oh a cópula louca da esperança e esforço
em que nos ajuntamos e nos desesperamos.

E a ternura, leve como a água e a farinha.
E a palavra apenas começada nos lábios.

Esse foi meu destino e nele navegou o meu anseio,
e nele caiu meu anseio, Tudo em ti foi naufrágio!

Oh imundice dos escombros, que em ti tudo caía,
que a dor não exprimia, que ondas não te afogaram.

De tombo em tombo inda chamas-te e cantas-te
de pé como um marinheiro na proa de um barco.

Ainda floris-te em cantos, ainda rompes-te nas correntes.
Oh sentina dos escombros, poço aberto e amargo.

Pálido búzio cego, desventurado desgraçado,
descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!

É a hora de partir, a dura e fria hora
que a noite sujeita a todos seus horários.

O cinturão ruidoso do mar da cidade da costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.

Abandonado como o impulso das auroras.
Somente a sombra tremula se retorce em minhas mãos.

Ah mais além de tudo. Ah mais além de tudo.
É a hora de partir. Oh abandonado.

Quinta-feira, Outubro 27, 2011

Restaurante Orquídea à mineira - A pior opção em Niterói

Restaurante Orquídea à mineira – a pior opção em Niterói

No dia 21/10/2011, sexta-feira, estive pessoalmente no restaurante Orquídea à mineira, na Rua Mem de Sá, nº 8, Icaraí, onde fiz a reserva para 16 lugares, sendo que 8 destes na “mesa de vidro”, local reservado do restaurante, num mezanino decorado com orquídeas. Na mesma ocasião, encomendei uma torta sabor bombom, com a finalidade de comemorar o aniversário de 10 anos da minha filha, no dia 26/10/11 (quarta-feira), às 19h.

No dia 26, às 18h, o maitre do Orquídea, Sr. Robson, ligou para o meu celular dizendo que a minha mesa estava ocupada e que poderia me colocar em outro lugar, pois havia chegado um grupo às 17h e o restaurante não poderia perder os clientes. Respondi que se era assim que a casa funcionava, não deveria fazer reservas, pois quem trabalha seriamente não se comporta de tal forma. Disse que se não estivesse tão tarde, eu mudaria o local da comemoração, mas como isso não seria possível, fazia questão da “mesa de vidro” e que eles iriam ter problemas. Ainda assim, o maitre insistiu na impossibilidade de retirar o grupo do local.

Após 10 min., aproximadamente, liguei e falei com o gerente, o qual me informou que a mesa já estava vazia, à minha disposição.

Chegamos no horário combinado e tudo correu bem até o momento em que pedi a torta para cantarmos os parabéns. O garçom chegou com uma torta que eu achei diferente, mas não reclamei. Minha filha soprou as velas, furou o bolo com o indicador, comeu o bombom que o decorava, assim como um morango. De repente, o garçom retirou a torta e disse-me que aquela não era a minha, mas a da mesa de baixo e não poderia cortá-la. Informou, ainda, que não havia outra torta para a nossa família.

Fui falar com o gerente, mas este já havia saído para providenciar a torta, já perto das 23h e 30 min, com os convidados querendo ir embora.

Contei o ocorrido para as pessoas a quem iriam oferecer o mesmo bolo, já “lambido” pela minha filha, quando soube que, para elas, já era o terceiro problema da noite, pois foram retiradas da tal mesa, quando já iriam começar a comer.

Enquanto esperávamos, ofereceram-nos um “Lambrusco” (espumante barato) como um pedido de desculpas, para mim, risível, até que a torta finalmente chegasse e pudesse ser servida.

O momento de pagar a conta também foi problemático, pois juntaram duas comandas de pessoas diferentes na mesma nota, a qual teve que ser refeita, isso já por volta da meia-noite, com os clientes (consumidores) já bastante insatisfeitos.

Enfim, embora residindo na mesma rua do Orquídea, prometi ao gerente que jamais voltaria a colocar meus pés lá, pois o estabelecimento não trabalha com seriedade, é desorganizado e sem comprometimento com quem o frequenta.

Quinta-feira, Outubro 06, 2011

Steve Jobs

06/10/2011

Confira frases marcantes de Steve Jobs, fundador da Apple
Famoso pela oratória, Jobs ajudou a definir rumos da tecnologia.
Confira as visões do empresário sobre a internet, o futuro, a vida e a morte.


Steve Jobs na apresentação do iPad 2

(Foto: Beck Diefenbach/Reuters)O legado de Steve Jobs vai além da Apple, da Pixar e dos produtos que ele ajudou a desenvolver. Famoso pela oratória, pela capacidade de síntese de ideias e pelo carisma em suas apresentações, Jobs deixa ainda uma coleção de afirmações polêmicas, frases visionárias e pensamentos que ajudaram a definir os rumos da tecnologia nos últimos anos. O G1 selecionou algumas das frases de Jobs. Confira:


Sobre a vida
“Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates” –Newsweek, 2001

“Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa. Ir para a cama à noite dizendo que fizemos algo maravilhoso, isso importa para mim”–The Wall Street Journal, 1993

“Você quer passar o resto de sua vida vendendo água com açúcar ou quer ter a chance de mudar o mundo?”– em entrevista a John Sculley para o livro “Odyssey: Pepsi to Apple”

“Às vezes a vida te bate com um tijolo na cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez continuar foi que eu amava o que eu fazia. Você precisa encontrar o que você ama. E isso vale para o seu trabalho e para seus amores.Seu trabalho irá tomar uma grande parte da sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz. Caso você ainda não tenha encontrado[ o que gosta de fazer], continue procurando. Não pare. Do mesmo modo como todos os problemas do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer relacionamento longo, só fica melhor e melhor ao longo dos anos. Por isso, continue procurando até encontrar, não pare" – discurso durante formatura em Stanford, 2005

“Você não pode conectar os pontos olhando para a frente; você só pode conectar os pontos olhando para trás. Assim, você precisa acreditar que os pontos irão se conectar de alguma maneira no futuro. Você precisa acreditar em alguma coisa – na sua coragem, no seu destino, na sua vida, no karma, em qualquer coisa. Este pensamento nunca me deixou na mão, e fez toda a diferença na minha vida.” – discurso durante formatura em Stanford, 2005

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.” – discurso durante formatura em Stanford, 2005

“Isto foi o mais perto que cheguei da morte e espero que seja o mais perto que eu chegue nas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso dizer agora com mais certeza do que quando a morte era apenas um conceito intelectual: nnguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para ir para lá. Ainda, a morte é um destino que todos nós compartilhamos. Ninguém conseguiu escapar dela. E assim é como deve ser porque a morte é talvez a melhor invenção da vida. É o agente que faz a vida mudar. É eliminar o velho para dar espaço para o novo. Neste momento, o novo são vocês, mas algum dia não tão longe, vocês gradualmente serão o velho e darão espaço para o novo. Desculpa eu ser tão dramático, mas é a verdade” – discurso durante formatura em Stanford, 2005

“Seu tempo é limitado. Por isso, não perca tempo em viver a vida de outra pessoa. Não se prenda pelo dogma, que nada mais é do que viver pelos resultados das ideias de outras pessoas” – discurso durante formatura em Stanford, 2005

“Tenha vontade, tenha juventude. Eu sempre desejei isso para mim. E agora, que vocês se formam para começar algo novo, eu desejo isso para vocês” – discurso durante formatura em Stanford, 2005

Sobre tecnologia
“Eu acho que [a tecnologia] fez o mundo ficar mais próximo e continuará fazendo isso. Existem desvantagens para tudo e consequências inevitáveis para tudo. A peça mais corrosiva da tecnologia que eu já vi se chama televisão, mas novamente, a televisão, no seu melhor, é magnífica.” – Revista Rolling Stone, dezembro de 2003

“Nascemos, vivemos por um momento breve e morremos. Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está mudando muito este cenário” – Revista Wired, fevereiro de 1996

“Se você é um carpinteiro e está fazendo um belo armário de gavetas, você não vai usar um pedaço de compensado na parte de trás porque as pessoas não o enxergarão, pois ele estará virado para a parede. Você sabe que está lá e, então, usará um pedaço de madeira bonito ali. Para você dormir bem à noite, a qualidade deve ser levada até o fim”— Revista Playboy, 1987

“O único problema da Microsoft é que eles não têm estilo. Eles não têm estilo nenhum. E não falo isso nas pequenas coisas, falo em tudo, no sentido de que eles não pensam em ideias originais e de que eles não levam cultura para os seus produtos – Documentário ‘Triumph of the Nerds’, 1996

Sobre o futuro
“Eu sempre estarei ligado à Apple. Espero que durante toda a minha vida o meu fio se cruze com o fio da Apple, como uma tapeçaria. Posso ficar afastado por algum tempo, mas eu sempre vou voltar.” – Revista Playboy dos Estados Unidos, fevereiro de 1985

“A principal razão para a maioria das pessoas comprarem um computador para suas casas será para se conectar a uma rede nacional de comunicações. Estamos apenas nos primeiros estágios do que será uma grande revolução para a maioria das pessoas – tão revolucionária quanto o telefone.” – Revista Playboy (edição americana), fevereiro de 1985

“A indústria do computador desktop está morta. A inovação virtualmente acabou. A Microsoft domina cada uma destas inovações. Isso acabou. A Apple perdeu. O mercado do PC desktop entrou em uma fase negra e ficará nela pelos próximos 10 anos ou até o final desta década” – Revista Wired, fevereiro de 1996

“Se eu tivesse largado esta única disciplina na faculdade [caligrafia], o Mac não teria diversas fontes e espaços proporcionais entre elas. E já que o Windows copiou o Mac, seria provável que nenhum outro computador tivesse a mesma coisa”. – discurso durante formatura em Stanford, 2005

Sobre a Apple
"Nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias” – Documentário ‘Triumph of the Nerds’, 1996

“Se eu estivesse liderando a Apple, eu apostaria tudo pelo Macintosh e depois me ocuparia com um próximo grande lançamento. A guerra do PC acabou, a Microsoft venceu há muito tempo” – Revista Fortune, 1996

“Estes produtos são um lixo. Não há mais sexo neles” – BusinessWeek, 1997

“Ninguém tentou nos engolir desde que eu estou aqui. Acho que eles têm medo de qual seria o nosso sabor” – reunião com acionistas, 1998

“Cara, a gente patenteou ele” (apresentando o iPhone) – Macworld, 2007

“Fizemos os botões na tela ficarem tão bons que você vai querer clicar neles” [sobre o Mac OS X] – Revista Fortune, janeiro de 2000

“Entrará para a história como uma grande mudança na indústria musical. Isso é histórico. Eu não posso subestimar isso” [sobre a loja virtual iTunes Music Store] – Revista Fortune, maio de 2003

“A cura para a Apple não está no corte de preços. A cura para a Apple está em inovar o meio de sair deste problema” – Apple Confidential: The Real Story of Apple Computer, 1999

“Eu não percebi isso na época, mas ter sido demitido da Apple foi a melhor coisa que aconteceu comigo. (...) Foi um remédio com gosto horrível, mas acho que o paciente precisava dele”. – discurso durante entrega de diploma de Stanford, 2005

(texto retirado do G1- O Globo)

Segunda-feira, Setembro 26, 2011

FACES

Livia na web


Aliteratura é não o lugar do saber, mas da ignorância. Não é o lugar do sucesso, mas do fracasso. Por isso ela incomoda tanto. Por isso parece tão extemporânea. Recolho essas ideias, breves, mas potentes, em “Faces” (Record), novo livro de Livia Garcia-Roza. Estranho livro (outro incômodo), fruto de outro lugar que atiça, mas também incomoda a tantos escritores: a internet.
O surgimento da internet promoveu uma asfixiante proliferação de novos escritos e de novas assinaturas literárias, que vieram agitar o cenário antes introspectivo e discreto da literatura. Os textos reunidos em “Faces” (o nome já sugere isso) foram escritos, originalmente, para o Facebook, durante os anos de 2009 e 2010. Trata-se, como diz Livia, de “uma literatura no estilo Web 2.0”. Ideia que, por certo, arrepiará os escritores mais clássicos.
São textos curtíssimos — comprimidos no limite cruel de 420 caracteres que a rede impõe. Exercícios de concisão, eles espremem as palavras até lhes arrancar algumas gotas da alma. Lembram os minicontos, hoje tão em moda, e também os milenares hai-kais. É do pouco, muito pouco, que Livia tira sua escrita. O que dá razão a uma de suas reflexões. “Escrever, muitas vezes, é um viver”.
A internet empurra a palavra pela garganta da vida. Caracteriza-se por textos escritos no calor da hora e, por isso mesmo, em estado de grande risco. A lentidão, a reflexão, a meditação silenciosa de cada frase — armas preciosas do escritor tradicional — ficam alijadas. É escrever, ou escrever, agora e já, exatamente como vivemos.
A parte mais preciosa de “Faces” se destina a uma reflexão seca, mas cortante, a respeito da própria literatura. Há, nesse sentido, uma ideia chave: “A função da literatura não é persuadir, mas provocar”. Os posts que Livia agora transporta para um livro disparam delicados choques em seu leitor. São como relâmpagos, breves, mas contundentes, que nos conectam a pensamentos encapsulados em ríspidas linhas. À distância, assemelham-se a uma luz que morre. Mas é dos pequenos acontecimentos que Livia arranca o sangue do mundo.

“Se é literatura”, diz Livia — e é literatura sim —, “é subversiva”. Acredita a escritora que a prosa é, além de ato, e não ofício, uma experiência mundana. É no contato bruto com o mundo, sem nenhuma pretensão de se tornar espelho, ou lei, que ela se fertiliza e se qualifica. “Faces” prova, aos que ainda duvidam, que a literatura está muito além dos meios que a veiculam — livros, blogs, ou o que seja. A web não matou a literatura. O livro digital não a matará. Diz Livia, com firmeza: “O lugar da literatura está além do lugar do escritor”. Não importa se ele trabalha em uma biblioteca, ou em uma lan house: importa que escreva, e que sustente sua escrita.

Em pleno século XXI, são muitas as ilusões que ainda cultivamos a respeito da palavra. Uma das mais graves: a de que o homem a inventou. Afirma Livia: “A linguagem não surgiu no homem; o homem surge com a linguagem”. Escreve-se, ela nos diz, de um lugar desconhecido e para desconhecidos. Não interessa saber se o escritor trabalha no Facebook, ou em uma enciclopédia; interessa saber se a palavra continua a ser subversiva, isto é, se ainda pode deslocar nossas certezas e divisar novos horizontes. Se for só repetição, ela pode até abrigar-se em capa dura e papel-bíblia, mas literatura não será.

Até porque a literatura, a rigor, não está nos livros, ou nas páginas da web, mas ocupa um lugar imaginário entre eles e o leitor. Recordo aqui de Vilém Flusser, o filósofo tcheco-brasileiro, que estou sempre a ler. Dizia Flusser que a literatura não está no texto, tampouco no leitor, mas no entrecruzamento entre eles. Para usar a imagem de um bordado: o texto seria a trama, isto é, o conjunto de fios passados no sentido transversal do tear, entre os fios da urdidura. Já a urdidura — conjunto de fios dispostos no tear paralelamente a seu comprimento, e por entre os quais passam os fios da trama — seria o leitor. Se você puxa o fio da trama, ela se desfaz, e literatura já não há. Mas se repuxa o fio da urdidura e arranca de cena o leitor, literatura não há também.
Em consequência, pouco importa saber se o escritor trabalha em um caderno, ou em uma tela de computador. Se está sozinho, ou online. Pouco importa, ainda, saber onde está o leitor, ou mesmo quem ele é. “Há tantos sentidos para um texto quanto forem as pessoas que o lerem”, diz Livia. “É a isso que se chama riqueza literária”. Talvez se possa dizer de modo ainda mais frontal: a isso se chama literatura.

“Faces” é, por isso mesmo, um exercício de deslocamento. Consagrada com livros como “Milamor”, de 2009, e “O sonho de Matilde”, de 2010, Livia Garcia-Roza sabe que a experiência no Facebook não coloca sua literatura em risco. Até porque literatura sem risco literatura não é. A troca do suporte não afeta um texto, que é sempre indiferente à matéria. A relação da escrita com o mundo não é de obrigação, ou de dívida: é de provocação. Resume Livia: “Escrever é rondar-se”.

“Faces” reúne também minitextos dedicados às crianças, à família, ao cotidiano e à psicanálise. E ainda algumas “pensatas” — em que a escritora prolonga suas reflexões a respeito da escrita. “A frase não traz com ela o sentido. O sentido é dado por quem escuta”, diz. E mais: “Sem escutar, não há palavra”. Destaca Livia, aqui, o papel do silêncio — esse grande deserto que nos obriga a procurar pelo outro. Ela mesma afirma: “A palavra não esgota a significação; há sempre o silêncio que contém a verdade”.

Mas, após o silêncio, surge sempre o momento do retorno ao dizer. Na seção “psicanálise”, Livia nos traz um brevíssimo relato que aponta seu caráter escorregadio, mas, por isso mesmo, perturbador. Deitada no divã em pose provocante, uma atriz pergunta a seu psicanalista: “O senhor já me viu representar?” Com duas palavras cortantes, o analista inverte a pergunta e não a poupa: “Fora daqui?” A palavra está sempre fora do lugar e, o mais assustador, está sempre fora da própria palavra. É nesse exílio que o escritor deve se acostumar a viver.



Email: josegcastello@gmail.com. Leia mais textos do colunista em www.oglobo.com.br/blogs/literatura

Terça-feira, Setembro 13, 2011

NOSSO SARAU




FORMATURA - LETRAS (PORTUGUÊS - LITERATURAS)



O SILÊNCIO DA CHUVA - LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA




No centro do Rio de Janeiro um executivo é encontrado morto com um tiro, sentado ao volante de seu carro. Além do tiro, único e definitivo, não há outros sinais de violência. É um morto de indiscutível compostura. Mas isso não ajuda: ninguém viu nada, ninguém ouviu nada.O policial encarregado do caso, inspetor Espinosa, costuma refletir sobre a vida (e a morte) olhando o mar sentado em um banco da praça Mauá. No momento tem muito sobre o que refletir. De um lado, um morto surgido num edifício-garagem; de outro, a incessante multiplicação de protagonistas do drama. Tudo se complica quando ocorre outro assassinato e pessoas começam a sumir.

Estou lendo e adorando! Fiquei sabendo que o Daniel Filho comprou os direitos autorais para realizar um filme.Oba! Espero que seja tão bom (ou quase) quanto o livro.

Prêmio Jabuti 1997 de Melhor Romance
Prêmio Nestlé de Literatura 1997

Segunda-feira, Agosto 08, 2011

AQUARELA DA RAFA - AGOSTO 2011


CIRCUITO ADIDAS INVERNO - 24/07/2011 - 5 KM


CIRCUITO ATHENAS - 2ª FASE - 8km. UFA!


A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS (valter hugo mãe)



"Este livro narra a história de António Jorge da Silva, um barbeiro que acaba de completar 84 anos, e depois de perder a mulher, é entregue a um asilo. Sozinho, mas sem sucumbir ao pessimismo, num mundo cuja metafísica parece ter sido subtraída, Silva se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. Ele que viveu sob o peso de Salazar, nos tempos em que as ditaduras regiam tudo, coloca o passado e suas ações em perspectiva, não sem notar que o pessimismo sobre o papel do país no mundo exacerbou-se ainda mais. Portugal se transformou numa máquina geradora de sentimento de inferioridade, uma máquina especializada em produzir entre os nascidos no país a vontade de deixá-lo."

LEITURA ATUAL: PANTALEÃO E AS VISITADORAS ( MARIO VARGAS LLOSA)



"'Pantaleão e as visitadoras' conta a história de Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, que recebe uma missão inesperada - criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar. O capitão tem que se mudar para Iquitos, se manter afastado dos demais militares, usar trajes civis e, acima de tudo, não contar nada à mãe e à mulher. É obrigado a trabalhar nas madrugadas, bebendo em bares infectos, e cuidar do empreendimento com personagens insólitos. Em pouco tempo o que era uma missão discreta se transforma no maior empreendimento de prostitutas do país, virando do avesso à vida de Iquitos e do próprio Pantaleão, que, como se não bastassem os problemas familiares, se verá envolvido com uma bela e insinuante visitadora."