domingo, julho 30, 2006

Sorria mais, você está em "Meninas Gerais"

Maria Fumaça: Tiradentes - São João Del Rei







Relógio do Sol

Voltei!!!

Depois de dez dias em “Meninas Gerais”, chegamos a Niterói. A viagem foi deliciosa: Tiradentes, Bichinho, Santa Cruz de Minas, São João Del Rei, Congonhas, Ouro Preto, Mariana e Carandaí.

Rafaela e Larissa foram guerreiras, subiram e desceram ladeiras, visitaram museus e igrejas - com algumas reclamações, é claro – mas, nota 10 para as nossas duas companheiras de estrada.

Voltamos cheios de “narrativas” e quatrocentas fotos. Fizemos dois passeios de trem (Tiradentes – São João – Tiradentes e Ouro Preto – Mariana), entramos numa mina de ouro desativada, em Ouro Preto, e conhecemos pessoas legais e extremamente hospitaleiras.

Parar em Carandaí na volta, para rever Vilma, Ricardo e família foi tudo de bom. Rafaela não se intimidou e deu início a uma contação de histórias com “O macaco e a velha”. O povo se escangalhou de rir!

Tenho mais uma semana de férias, mas as meninas voltarão às aulas amanhã. Eu até queria ficar uns dias sozinha, mas agora estou com o coração partido...

terça-feira, julho 18, 2006

Um defeito de cor

















Após ficar relutante por algum tempo diante das 951 páginas de Um defeito de cor, mas louca para conhecer a história narrada por Ana Maria Gonçalves, e tão recomendada pelo Carlos, meu amigo livreiro, decidi que esta será minha próxima leitura, preenchendo o espaço deixado por A cura de Schopenhauer, terminado na madrugada de hoje.

Fui impulsionada, ainda, pelo trecho publicado no jornal do Miraflores, sobre a palavra Serendipidade, explicada logo no prefácio do livro:

"Esta descoberta é quase daquele tipo a que chamarei serendipidade, uma palavra muito expressiva, a qual, como não tenho nada melhor para lhe dizer vou passar a explicar: (...)
serendipidade então passou a ser usada para descrever aquela situação em que descobrimos ou encontramos alguma coisa enquanto estávamos procurando outra, mas para a qual já tínhamos de estar, digamos, preparados. Ou seja, precisamos ter pelo menos um pouco de conhecimento sobre o que descobrimos para que o feliz momento de serendipidade não passe por nós sem que sequer o notemos."

domingo, julho 16, 2006
























De molho em casa, a gente inventa na cozinha. As meninas adoraram participar do preparo da nossa macarronada para o almoço de sábado.

Passamos o final-de-semana cuidando da Rafaela dodói, tendo notícias da Bisa (em recuperação...) e ansiosos pela realização da cirurgia do meu padrinho.

O coração tem andado apertado à beça e só o tempo poderá colocar as coisas em seus lugares...

"A vida é uma cena que passa"

Recebi flores de mãozinhas muito delicadas...


domingo, julho 09, 2006

Mamãe coruja
























Festa de aniversário dos primos Paula e Daniel.
Nas fotos: Larissa, Paula, Clara e Rafaela
08/07/07


























Festa Junina do Miraflores - 07/07/06

quinta-feira, julho 06, 2006

Friedrich Nietzsche - Humano, demasiado humano.
















"A coisa necessária - Uma coisa é necessário ter: ou um espírito leve por natureza ou um espírito aliviado pela arte e pelo saber."

segunda-feira, julho 03, 2006

Sem lágrimas


DERROTA DA SELEÇÃO BRASILEIRA
Dessa vez, depois de ver a Seleção Brasileira de Futebol “enrolando” desde o início da Copa e andando em campo, sem a menor raça - com raras exceções - no jogo contra a França, não derramei uma lágrima, nem fiquei triste. Aliás, isso só aconteceu comigo em 1982, aos 11 anos de idade, depois de ter pintado o chão da minha rua e enfeitado tudo, com muita esperança, para a Copa da Espanha, quando “o canarinho” voou rápido de volta para casa.
Reconheço que esse esporte tem diversas funções, pode ser visto como “o ópio do povo” ou como motivo para deixar as pessoas mais felizes e unidas em função de um mesmo objetivo. Tudo bem, não fico alheia a comemorações e torcidas, gosto bastante, mas não consigo ficar P da vida quando há uma derrota justa. Não foi questão de sorte ou azar, mas de um time de estrelas apáticas, recordistas e endinheiradíssimas.
Quando criança, eu chorava. Hoje tenho mais com o que me preocupar... Basta pensar: o que muda na vida de cada brasileiro com a derrota da seleção? O que mudaria com a vitória? A resposta é a mesma: NADA!
Vou continuar brincando, torcendo por Portugal e Felipão e, se não der, vestirei a camisa da Alemanha em homenagem ao meu amigo Arne, um alemão que sua a camisa do Brasil, vibrando a cada jogo. Acho que isso pode ser visto como manter a esportiva.
Eu também quero o HEXA, porém, não se trata de uma urgência. Outros anseios mexem muito mais comigo.

quinta-feira, junho 29, 2006

Perfil publicado no Informativo Parquet da Procuradoria da República/RJ










Perfil

Carioca, a analista processual Christiane Reis tem dupla formação: bacharel em Direito e especialista em Direito Privado (UFF) e especialista em Literatura Infanto-Juvenil (UFF) cursando o 2o período em Letras (Estácio). Escorpiana, ela exercia a advocacia antes de entrar na PR/RJ, há 10 anos.

Ídolo: meu pai.

Filme: Grande Sertão: Veredas (1965), A bela e a fera, Dogville, Sonhos, Magnólia.

Ator/atriz: Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Marília Pera, Luís Fernando Guimarães, Matheus Naschtergale.

Livro: Obra completa do Fernando Pessoa, Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa), Dom Casmurro (Machado de Assis), Berço das Desigualdades (Sebastião Salgado), O deserto dos Tártaros (Dino Buzzati), Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Marçal Aquino).

Peça de teatro: Variações Enigmáticas (Paulo Autran e Cecil Thiré).

Programa de TV: Noticiários.

Autor: Fernando Pessoa, José Saramago, Adélia Prado, Hilda Hilst, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Lygia Bojunga, Vinícius de Moraes, Eça de Queirós, Drummond, Erico Verissimo, Gaston Bachelard, Dostoievski, Cervantes e muitos outros.

Música: MPB, Jazz, Ópera, Clássica, Choro, Samba.

Cantor(a)/banda: Maria Bethânia, Chico Buarque, Madeleyne Peyroux, Sarah Voughan, Cartola e Marisa Monte.

Comida: Rabada com batata e agrião, cordeiro ao molho de hortelã, massas, risoto de salmão e mais...

Point: Livraria da Travessa (Ouvidor), Empório Icaraí, Vestibular do Chope (boteco no Gragoatá, onde encontro amigas da UFF), CCBB e MAC.

Time: Flamengo.

Esporte preferido: Futebol.

Sonho: Trabalhar com Literatura.

Qualidade que admira: Generosidade.

Tenho medo de: lidar com a perda de quem amo.

Que país é este? Plagiando Lygia Fagundes Telles, cito a Bíblia (Eclesiastes: 16): “Ai de ti, ó Terra, quando teu rei é criança e quando teus príncipes se banqueteiam ao amanhecer”.

Ser feliz é: Estar com saúde, em paz com a minha família e rodeada de bons amigos.

Frase: “Não me julgo, permito-me, deixo-me ser.” (Clarice Lispector, em O aprendizado ou O livro dos Prazeres)

RESTAURANTE BRASIL - MEM DE SÁ - LAPA































Amanhã é sexta-feira, dia do chopinho gelado, mas só de olhar essa foto já fiquei com água na boca...

quarta-feira, junho 28, 2006

“O que prejudica o equilíbrio mental não é ter tal ou qual emoção, mas não ser capaz de senti-la. O que corrói os homens não são os sentimentos que eles vivenciam, mas os que se recusam a vivenciar, por terem vergonha ou medo. Arthur Janov condensou essa filosofia da liberdade numa formulação-choque: A doença é a renegação dos sentimentos; o remédio é senti-los.”

Michel Lacroix – O culto da emoção, pág. 65.

sexta-feira, junho 23, 2006

Passei "sufoco" nos dois primeiros jogos do Brasil - no Barreto Summer's Club e na casa de Didi e Babu (minhas primas) - mas não deixei de torcer. Ontem foi muito bom ver o banho no Japão, em casa e em paz.
Como dizem: Depois da tempestade...
Vem a felicidade!

quinta-feira, junho 22, 2006

Andei pensando... Acho que o problema dele é o mesmo da Emília, antes de tomar a pílula do Dr. Caramujo: "fala recolhida". Isso faz um mal... As palavras devem ser colocadas para fora (com urgência) pois, caso contrário, provocam estragos e criam abismos que com o tempo só se tornam maiores.

Então, preciso ir rapidinho ao Reino das Águas Claras e encontrar o tal Doutor. Quem sabe ele ainda tem um desses mágicos comprimidos. Iria nos ajudar bastante...

Olhares

Olha-me de um jeito que eu,
simplesmente, gosto.
Não se trata de puro desejo
físico
Olha-me com vontade de colo,
um querer-bem de abraçar,
contar e ouvir
histórias...
Então, enquanto você continuar
me vendo,
observando,
mordendo levemente
com os olhos, dessa maneira
de quem quer ter, sem possuir
serei sua
tanto quanto antes.
Tão Bem

Lulu Santos

Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem
E ela me faz tão bem
Ela me faz tão bem
Que eu também quero
Fazer isso por ela
Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem
E ela me faz tão bem
Ela me faz tão bem
Que eu também quero
Fazer isso por ela

sábado, junho 17, 2006

Blog de "licença médica"

A família está dodói e o blog esteve, por uns dias, de "licença médica".

Em breve: novos posts no Antídoto.

Enquanto isso: cama, um pouco de filosofia e "Um filme falado" (Manoel de Oliveira), "Encouraçado Petemkin" e "Crash", com muitos "pauses", é claro...

domingo, junho 11, 2006

"Estava escrevendo e era tarde.
Era tarde nas janelas da sala.
Um gosto de tarde que eu queria lamber.
Tanho vontade de lamber as coisas que gosto.
Mesmo as que não gosto costumo lamber sem querer.
Às vezes com a língua mesmo. Molhada e escorrida.
Outras vezes uso a língua da palavra.
Quando tem espinhos ou cheiros ruins.
Ou asperezas estranhas ao paladar de minha pessoa.
Ou por nada mesmo. Por gosto.

Passo a língua nas coisas que vejo.
E passo as coisas que vejo pra língua."

Visita ao Dindo Xande




















Rever meu compadre Alexandre (amado pelas primas) é sempre uma delícia!

Viviane Mosé, psicóloga e psicanalista, e mestre e doutora em filosofia pela UFRJ. Nossa!

"Pessoas são barcos que se confundem com águas
Quando choram."

"Pessoas são embarcações sujeitas a afundamentos."


"Gosto de aulas excessivas no sentido de tomadas de pânico
E alegria. Aulas tumultuadas e bem-humoradas.
Gosto de aprender e acho que todo mundo gosta.
Então ensino coisas.
Deixando transparecer o que trago meio solto entre as mãos.
As coisas que tomo. E os nomes que dou.

A filosofia é um estado de decifração."

Fim de domingo

Essas andanças pelas livrarias têm me levado a muitas descobertas: pensamentos, pessoas, novos autores ou por mim desconhecidos, livros, cds e dvds. Enfim, são histórias que compõem a minha. Às vezes chego alegre e conversadeira, noutras, meio triste e cabisbaixa. Mas, invariavelmente - acrescida de livros, conversas, histórias ou músicas – saio de lá melhor do que quando entrei.

Na semana passada, reencontrei Viviane Mosé, com o lançamento do seu Desato. Eu já havia lido poemas dela, mas não lembrava (um livro-cd oferecido pela Corpo e Alma, há uns dois ou três anos). Fiquei surpresa, feliz diante da leitura, acompanhada de um delicioso sanduíche com vinho branco (quis ter algo de bom numa hora vaga da sexta-feira. Preciso desses mimos pra dar uma relaxada de vez em quando). Ela dizia assim:

“ (...) Pensei em te escrever uma carta sincera. Mas sincera é o quê mesmo? Ando pelas ruas pensando em me desfazer desse lugar
Que eu cavei pra te caber. O espaço que eu cavei pra te caber
Agora está vazio demais. Chorei muito esses dias. E sonhei
Com seu colo e suas mãos esculpindo meus cabelos.

Chorei duas horas seguidas. Chorei litros e líquidos. Chorei
Os rios que derramei. Meus rios onde ninguém se banha.
Ninguém navega em mim águas. Ninguém anda por mim
corpo. Ninguém dorme em mim céu.

Às vezes gosto de gente nem sempre. Mas às vezes muito.
Por um lado tenho talento para as pessoas. Por outro ao contrário.

Queria escrever pessoas inteiras, mas não hão.”

A Viviane me lembrou o Manoel de Barros.

Conversando com o Carlos (um dos meus amigos da livraria), ele me falou de “Um defeito de cor”, contou-me parte da história e eu morri de vontade daquela vida... Umas mil páginas... Desanimei, pois no ritmo em que estou, vou demorar alguns anos para terminar de ler.

Passei pela Adolescência Normal, depois, pela figura do narrador “enquanto poeta” em A hora da estrela, atravessei a tragédia grega e sigo rumo aos gêneros literários, dos quais terei que dar conta amanhã, na prova de Teoria da Literatura I. Depois: férias e 2º período da faculdade. Confesso: estou adorando isso!

Terminei meu chá, agora vou à cozinha preparar uma mamadeira para a Rafa. Larissa está vendo Chaves (ninguém merece!), depois de ter viajado pela década de 1960 e conhecido Leila Diniz, através de Ruth Rocha e Mariana Massarani.

quarta-feira, junho 07, 2006

Quanto a Hilda Hilst...

"Ninguém poderá entender o feitiço irresistível das melodias interiores, ninguém poderá sentir o arrebatamento e a placidez a menos que goze dessa Irrealidade, que ame o sonho mais que a evidência". E não há quem mais ame o sonho que o Poeta.

Cioran

“Ode descontínua e remota para flauta e oboé – de Ariana para Dionísio”






Hilst e Baleiro – o noviciado de uma parceria literomusical
Marcio Paschoal

Em tempos de vendedores de flores ensinando amores a seus filhos, chega a ser um sopro de esperança a chegada ao mercado de “Ode descontínua e remota para flauta e oboé – de Ariana para Dionísio”, reunindo dez poemas do livro “Júbilo, memória, noviciado da paixão”, de Hilda Hilst, e musicados por seu amigo e admirador Zeca Baleiro.

O disco inaugura o selo Saravá (junto com o CD póstumo de Sergio Sampaio “Cruel”). O projeto de Zeca musicar a autora de “Contos d`Escárnio” vem desde quando, na condição de fã, ele lhe mandou seu disco de estréia. Na época, Hilda comentava com ele, num misto de sinceridade e ironia, que literatura não dava camisa a ninguém, e que estava cansada de ter só prestígio. Era o sinal para o início da parceria.

Foram dois anos de gravações, calmas, sem afobações de cumprimentos de prazos, e o resultado pode ser logo pressentido nos arranjos simples e flertando com a atmosfera medieval, antevista por Baleiro no cerne da poesia de Hilda. Os poemas são pautados nas alegorias de entrega apaixonada da personagem principal por Dionísio.

Zeca veio a descobrir serem esses poemas meio autobiográficos, ou seja, uma paixão profunda da escritora, camuflada em seu alter ego Ariana. As dez intérpretes do disco dispensam apresentações e mais detalhes: Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro; Ná Ozzetti; Zélia Duncan; Olívia Byington, Mônica Salmaso e Angela Maria. Rita abre o disco com categoria; Ângela Ro Ro está ótima, com seu timbre mais grave; Ná Ozzetti à vontade nos agudos; Verônica, Olívia, Monica e Jussara confirmam o que delas se espera; Zélia Duncan tem a melhor música (Canção VII); Bethânia cumpre tabela e a Sapoti Ângela Maria parece um tanto destoante das demais, como se não emprestasse sua voz às canções, e sim ao contrário.

A parte musical tem fino trato nos arranjos delicados e competentes. Carlos Ernest nos sopros descontínuos e remotos, e Zeca ao lado de Swami Jr nos arranjos de base. O time de músicos deixaria qualquer Ariana feliz e entregue: Tuco Marcondes, Benjamim Taubkin, Zeca Assumpção, Toninho Ferragutti, Jaime Alem, entre outros.

“Ode descontínua e remota para flauta e oboé” é o resultado de um projeto bolado e tocado com mais emoção que outras empreitadas movidas pelo despotismo do mercado. Noblesse e l´argent, comme il faut. Um disco independente e lúcido, que, antes de soar a uma quixotada bem-vinda, pontua a carreira deste maranhense que prima pela oportunidade saudável de surpreender.

De Arari e das esquinas do mundo para as poéticas planícies do planeta Marduk. Como Hilda gostaria.

Suei para conseguir o cd, mas valeu a pena! Essa obra prima, assim como o Carioca do Chico têm sido presentes para os meus ouvidos.

terça-feira, maio 30, 2006



















Foto: Chris, de dentro do carro

No domingo a Praia de Icaraí estava linda, com a água transparente (fiquei espantada!) e o céu azul. Delícia de visual, pessoas pescando e tomando cerveja na Boa Viagem, o MAC lotado por causa da exposição do Miró, enfim, Niterói estava tudo de bom! Pra completar, só faltava ler a Martha Medeiros e folhear calmamente o jornal...

(...)
"Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me
roube o direito ao devaneio. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo e vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo de alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia
sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

(...)
E quero mais tempo livre. E mais abraços. E receber mais flores.
É ninguém está satisfeito. Ainda bem."

Martha Medeiros (vale a pena ler na íntegra)
Revista - O Globo - Domingo, 28/05/06

sexta-feira, maio 26, 2006

Para a moça dos olhos azuis































A TERRA VISTA DO CÉU - YANN ARTHUS BERTRAND

Belíssimo livro com 120 fotografias de vários países vistos do céu.

O livro chegou ontem. Pude encontrá-lo através de uma dica da amiga Sabine. Comprei sem ver antes, confiando no taco dessa fotógrafa. As crianças e eu ficamos encantadas com as fotos (não conseguimos ver todas, pois já era tarde). Hoje à noite tem mais! Uma verdadeira obra de arte!

Para Liliane, pela dica do livro e por nossa amizade.

O Áugure

Sou um prisma às avessas
As cores em mim se confundem
Sou um tapete de ecos
Uma cachoeira de gritos
Uma cordoalha de muitos tempos

A esfera das lantejoulas
- passado, presente, futuro -
roda refletindo mil sóis

Sou essa colméia de incêndios
Essa assembléia de sinais
esse rumor insone

LUCIDEZ EMBRIAGADA
Héilio Pellegrino

quinta-feira, maio 25, 2006

Não é Fácil (Marisa Monte)

Não é fácil, não pensar em você
Não é fácil, é estranho
Não te contar meus planos, não te encontrar
Todo o dia de manhã
enquanto eu tomo o meu café amargo
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado
Na verdade, eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil
Onde você anda, onde está você?
Toda a vez que eu saio
me preparo para talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil
Todo o dia de manhã
enquanto eu tomo o meu café amargo
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado
o que eu faço?
O que eu posso fazer?
Não é fácil, não é fácil
Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
que qualquer mortal
Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil, é estranho

terça-feira, maio 23, 2006

Para a amiga Valéria, aquela que ama os cadernos...















O Caderno

Toquinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o be-a-bá.
Em todos os desenhos coloridos vou estar:
A casa, a montanha, duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel.
Sou eu que vou ser seu colega,
Seus problemas ajudar a resolver.
Te acompanhar nas provas bimestrais.
Você vai ver.
Serei de você confidente fiel,
Se seu pranto molhar meu papel.
Sou eu que vou ser seu amigo,
Vou lhe dar abrigo, se você quiser.
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel.
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.
Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer.

Blog de cara nova

Adorei as mudanças feitas no Antídoto, obra da Sabine Marins do Elo Primitivo. Valeu, amiga!!!!

segunda-feira, maio 22, 2006

CONHEÇA OS GAÚCHOS

Assisti ontem - e achei ótimos - alguns curtas da década de 80: Obscenidades, Passageiros, Barbosa, O dia em que Dorival encarou a guarda e Ilha das Flores.

Alguns desses filmes farão parte do nosso Projeto de Inserção, através do cinema, literatura e música (arte, de maneira geral). As coisas estão caminhando bem e devem rolar em breve. Estou ansiosa para ver acontecer!

domingo, maio 21, 2006

VENENO ANTIMONOTONIA

Adorei as mudanças que o Léo fez no nosso blog (http://kritzliliane.blogspot.com), o Veneno Antimonotonia (trio: Léo, Liliane e Chris). Só não consigo fazê-las, nem tenho tempo para aprender, mas acho um barato a criatividade do meu amigo e a facilidade pra compreender rapidinho essa linguagem da informática usada pelo Blogger.

Estou esperando ele terminar a tarefa no Veneno e que surja um tempinho pra dar um trato também no Antídoto...

Tadinho do Léo, ainda está com uma blusa de malha minha para pintar lindamente (era para as eleições de novembro de 2005), porque eu quero usar na Copa do Mundo, na da Alemanha ou em 2010. Tão atarefado... E eu perturbando o juízo da criatura. Amigo de verdade espera sem reclamar.

"Por meio dos sentidos suspeitamos o mundo." (Bartolomeu C. de Queirós)

TRABALHINHO DE CASA DA RAFAELA (4 ANOS)

"PESQUISE EM JORNAIS E/OU REVISTAS IMAGENS QUE SEUS OLHOS GOSTAM DE VER."

Se pararmos para pensar, esse é um exercício que pode ser feito em qualquer fase da vida (do jardim da infância ao doutorado), e rendendo demais: filosofia, arte, terapia, TUDO.

Acho que amanhã, como de costume, vou sentar ao lado da pequena para auxiliar na tarefa. Talvez eu pegue uma folha e faça as minhas próprias colagens... Vou ver no que vai dar.

Seu João Carlos e Dona Selma, meus pais!

Andei pensando nos meus referenciais... Ao buscar minha lembrança maior, quando o tema foi a felicidade, percebi que não havia nada, ninguém mais forte que meu PAI. Não lembro de ter conhecido um homem com tanta alegria de viver - com ou sem dinheiro, com ou sem dores, com ou sem preocupações, com ou sem mil motivos para estar triste - porque ele sempre procurava e encontrava um jeito de fazer graça. Para ele não existiam desgraças. O dia estava sempre bom, nunca ia mais-ou-menos. Havia sol em meio a tempestade. Havia luz, mesmo quando tombava um poste e a energia sumia durante horas a fio... Ele ligava o rádio do carro bem alto, acendia velas, fazia festa, tomava uma cerveja antes que a loura esquentasse e depois dormia ao ar livre por causa do calor, não sem antes ter metido o corpanzil num banho frio para se deitar molhado.
Lembrar dele me encanta, emociona, traz força pra caminhar... Meu exemplo? Meu herói? Sei lá! Sei que quando estou alegre, nada mais sou que o reflexo da sua alegria. Quando sou bondosa, estou apenas espelhando a bondade vivida. Ao criar minhas filhas tento repetir aquele olhar, tão presente em minha infância e durante o tempo em que estivemos fisicamente juntos.
Nossa, que confessional! Ando emotiva demais, sensível, à flor da pele. Talvez tenha sido a emoção de ter visto o nascimento de outro João e ter-lhe dado o primeiro colo.
Dona Selma vai morrer de ciúmes ao ler este post, mas sei que compartilha da mesma opinião. É também a melhor mãe que eu poderia ter, aliás, antes das minhas filhas nascerem eu imaginava que não conseguiria "chegar aos pés dela". Hoje, vejo que me empenho ao máximo para ser mãe, no real sentido da palavra, e acho que tenho me saído bem, talvez por ter aprendido isso sendo filha...
Pronto! Sem vinho para alterar os sentidos e depois de algumas lágrimas, terminei! Coloquei para fora o que não queria sair da cabeça e do coração: a minha alegria comovida por ser cria de quem sou.

sexta-feira, maio 19, 2006

Uma luz no fim do túnel

Meu trabalho é lidar diariamente com a injustiça, é ver que as coisas não funcionam nesse Judiciário lento, capenga e corrupto. Ainda assim, ergo a cabeça e saio de casa acreditando que as coisas vão melhorar, que há uma luz no fim do túnel, embora eu não a enxergue. Hoje, vi algo dar certo e a esperança tomou vulto: minha amiga Verônica recebeu do Ministério da Saúde uma caixa de hormônios do crescimento (medicamento excepcional), no valor de RS5.800,00 (cinco mil e oitocentos reais), em virtude da liminar deferida na ação ordinária que propus há dois meses. Isso significa que o tratamento do filho dela está garantido por mais três meses!!!(o Caio já cresceu 3cm e está todo feliz).

Agradeço a Deus, não só pelo bem estar do Caio, mas pela força, pelo impulso pra continuar trabalhando, ainda que dividida: amando o Direito e apaixonada pelas Letras. Espero que meu coração agüente passar a vida "entre dois amores"...

segunda-feira, maio 15, 2006

Dez Chamamentos
Ao Amigo

de Hilda Hilst

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

domingo, maio 14, 2006

BISAVÓ, AVÓS, MÃES

FILHINHAS!!!

MÃES




5 MANIAS

Léo me pediu há um tempão para colocar no blog as minhas manias. Então, lá vão elas:

1ª mania - carregar uma sacola da Livraria da Travessa, todos os dias, para o trabalho. Nela posso encontrar tudo o que preciso e o que não vou usar também: livros, jornal do dia ou partes que me interessaram e não tive tempo para ler, guarda-chuva (nem sempre), material da faculdade, revistas, etc. (uma verdadeira canastra da Emília).

2ª mania - não sair de casa sem brincos e batom. Sinto-me nua.

3ª mania - tomar café ou almoçar na Livraria da Travessa, três vezes por semana, no mínimo.

4ª mania - perguntei à Larissa e ela disse: "levar um rio de bolsas para a casa da vovó pra passar só um final-de-semana".

5ª mania - sentir saudades de forma absolutamente EXAGERADA e contar isso às pessoas, com a maior sinceridade.

Quem lembrar de outras, pode acrescentar à vontade.

sexta-feira, maio 12, 2006

SINS (Adriana Calcanhoto)

Eu nunca faço escolhas
Eu quero sempre tudo
Eu digo sempre sim
Eu não me confundo

Eu vou logo aceitando
Eu peço sempre muito
Eu quero ver o fundo
Eu não vacilo

O tempo todo eu mudo
Eu não duvido
Eu nunca nego restos
Eu não decido
Eu quero

Para estar em movimento
Invento alvos
e finjo que estou perto
Eu só minto pra mim mesma

Atrás de freqüências, potências, clarezas
Desenho falsas retas
Falseio novas rotas
Por onde pulsa a minha pressa

Eu não duvido
E sim eu disse sim eu quero sins, eu quero

terça-feira, maio 09, 2006

Bartolomeu Campos de Queirós

Com os ouvidos só escutamos
o silêncio do mundo.

E dentro do silêncio moram
todos os sons: canto, choro,
riso, lamento.

E quando uma voz invade
nossos ouvidos, adivinhamos a
felicidade de quem fala.
Nossos ouvidos lêem os tons das vozes.

Escutar é também um jeito de ver.

Quando nós escutamos,
imaginamos distâncias,
construímos histórias,
desvendamos novas paisagens.

Os cinco sentidos - Bartolomeu Campos de Queirós



O escritor Bartolomeu C. de Queirós estará amanhã, 10/05/06, às 19h, no Miraflores (Niterói), para a palestra "Memória e Fantasia" aberta à comunidade.

Pretendo estar lá e prestigiar esse grande escritor.
Adoro o Bartolomeu, mas há também um barzinho em frente à escola... Que tal?

Como dizia o Vinícius, não conheço amizade que tenha nascido numa leiteria...

sexta-feira, maio 05, 2006

A MENINA QUE NÃO ERA MALUQINHA



Hoje de manhã fiquei muito alegre: fui dar um beijo na Rafaela, antes de vir para o trabalho, e encontrei-a lendo as imagens da Mariana Massarani no livro “A menina que não era maluquinha e outras histórias”, da Ruth Rocha, escritora adorada pela Rafa por causas dos Rs do nome.
Achei bacana a iniciativa dela ao buscar o livro na estante e abandonar a tv, sem a interferência de um adulto. Estava sentadinha na cama, concentrada, folheando calmamente a obra (capa dura, guarda florida e belo acabamento), como se estivesse lendo também as palavras.
As meninas ficaram encantadas com as ilustrações, e as quatro histórias são bem divertidas. Uma boa opção em literatura infantil.


Breve resenha:

"Histórias meio maluquinhas de meninos e meninas.
Oscarzinho adorava dinheiro desde pequenininho. Sempre dava um jeito de ganhar um trocadinho, mesmo com a vergonha dos pais. Até que um dia ele exagerou! Alugar a irmã pequena!!!! O que é isso Oscarzinho?

E a Gabriela que gostava tanto de ver as pessoas, os movimentos na rua, os animais dos vizinhos que sempre chegava atrasada na aula! Xiiiii ela tinha que inventar cada desculpa esfarrapada para a professora. Ô menina curiosa!

Mas tem também a história de um menino danadinho que quase matou a vó e a tia de susto, fazendo cadeiras de balanço balançarem sem ninguém nelas.

Eu, heim?! E também a da amiga do Mauricinho que resolveu dar um banho na gata da casa e provocou aquela confusão!"


A MENINA QUE NÃO ERA MALUQUINHA (Página da Ruth Rocha)

A Menina que Não Era MaluquinhaMaluquinha, eu?

Eu não! Não sou nenhuma maluquinha!

Quem me pôs esse apelido foi aquele menino de casacão e panela na cabeça.
Ele me botou esse apelido quando eu fui brincar na casa do Mauricinho.
Eu nem queria ir. Mas a mãe dele telefonou pra minha mãe, ela disse que o Mauricinho era muito tímido e que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais...
Não sei o que ela disse, acho que ela queria que ele brincasse com umas crianças mais descoladas...

E aí minha mãe me encheu um pouco e eu acabei indo.
A gente chegou na casa do Mauricinho e foi logo almoçar. E depois do almoço a mãe dele botou a gente pra fazer a lição. Eu não me incomodo de fazer lição logo depois do almoço, porque eu fico logo livre. Mas a mãe do Mauricinho começou a fazer uns discursos sobre responsabilidade e coisa e tal, que a gente já era grandinha e tinha que cumprir com os compromissos... Um saco!Eu tô careca de saber disso! E então eu fiz minha lição correndo e o Mauricinho ficou lá toda a vida, ele não acabava mais de fazer a lição dele.

Aí eu comecei a rodar pela casa até que encontrei um gato. Gato não, gata. Chamava Pom-pom. Ou era Fru-fru... Ou era Bom-Bom, sei lá. E eu peguei a gata e ela estava meio fedida. Então eu resolvi dar um banho nela.

Gato não gosta de banho, vocês sabem. Mas meu avô tinha me contado que quando ele queria dar banho no gato ele botava o bicho dentro da banheira e ele não conseguia sair e meu avô dava banho à vontade! Mauricinho tinha um banheiro dentro do quarto dele.

Quando eu fui chegando perto da banheira a gata arrepiou toda e eu joguei ela bem depressa lá dentro e tapei o ralo e enchi de água. E esfreguei a gata todinha com um shampoo todo perfumado que tinha lá e eu estava achando que todo mundo ia gostar de ver a gata toda limpinha.

A gata estava muito infeliz e ela miava miaaauuu... e tentava sair do banho, mas meu avô tinha razão: ela arranhava a parede da banheira, mas não conseguia sair. Mas acho que aí caiu shampoo no olho da gata, porque ela deu um pulo e agarrou na minha roupa e conseguiu pular fora e saiu correndo, espalhando espuma de shampoo por todo lado e nisso a mãe do Mauricinho vinha chegando e levou o maior susto e caiu sentada e a gata continuou correndo e assustando todo mundo e respingando tudo de espuma.

Eu não sei quem estava mais assustado: se era o Mauricinho, a mãe dele, a gata, ou se era eu. Eu corri atrás da gata, mas ela pulou pela janela, atravessou o jardim, saiu pela rua e eu atrás. Só que no meio da rua estava a turma daquele menino, aquele da panela na cabeça, e a gata passou pelo meio deles todos e eu atrás! E eles levaram o maior susto, cada um correu para um lado, e atrás de mim vinha a mãe do Mauricinho e o Mauricinho e a cozinheira e o jardineiro todos correndo e gritando e eu resolvi correr para a minha casa e me esconder lá.

Mas no dia seguinte... a escola toda já sabia da história e aquele menino, aquele da panela na cabeça começou a me chamar de maluquinha...Mas eu não sou maluquinha, não! Só se for a vó dele!"

segunda-feira, maio 01, 2006

euzébia zanza

Editora: Girafinha
Autora: Camila
Ilustradora: Suppa





Uma gracinha de obra infantil, achado por acaso nas prateleiras da livraria. Posso chamá-lo de singela surpresa. As meninas deram nota 10, principalmente pelas ilustrações.

"Euzébia havia chegado ao topo da montanha
metade do caminho para os que sobem e
ponto de partida para os que descem..."

"Parou ao ouvir o som
de uma pétala caindo
dos seus cabelos

Suspirou e o ruído
do ar a fez sentir-se
um instrumento."

Feriado cheio de fotos

Bob's - 1º/05/06































São Francisco - 1º/05/06



























Arrumando sua roupa de noiva com

guardanapos de papel.

Cantareira