quarta-feira, junho 13, 2007

domingo, maio 13, 2007

TRABALHINHOS DE LARISSA E RAFAELA























DIA DAS MÃES


(Rafaela, Thayná, João Gabriel e Larissa com suas mamães)
"A mamãe é quem me abraça,
me ilumina e me acalma
ela sabe sabe os meus desejos
e os meus medos
o bicho-papão, a escuridão
e dos mistérios da vida
mamãe meu amor."

quarta-feira, abril 25, 2007

"Se uma felicidade, um anseio por uma nova felicidade, é, em certo sentido, o que mantém o vivente preso à vida e continua impelindo-o para ela, então talvez nenhum filósofo tenha mais razão do que o cínico: pois a felicidade do animal como a do cínico perfeito é a prova viva da razão do cinismo. A mínima felicidade, contanto que seja ininterrupta e faça feliz, é incomparavelmente maior do que a maior do que a maior felicidade que só venha episodicamente, como capricho, como um incidente desvairado, entre puro desprazer, desejo e privação. No entanto, em meio à menor como em meio à maior felicidade é sempre uma coisa que torna a felicidade o que ela é: o poder-esquecer ou, dito de maneira mais erudita, a faculdade de sentir a-historicamente durante a sua duração. Quem não pode se instalar no limiar do instante, esquecendo todo o passado, quem não consegue firmar pé em um ponto como uma divindade da vitória sem vertigem e sem medo, nunca saberá o que é felicidade, e ainda pior: nunca fará algo que torne os outros felizes."

Nietzsche
LABIRINTO

Acho bonito falar alemão.
Por isso, talvez, eu não queira aprender a falar alemão.
Se eu falasse alemão
as pessoas iriam dizer, simplesmente, "ele fala alemão"
e aí perderia a graça.
A graça está em achar bonito falar alemão.

Por isso, às vezes,
eu deixo de fazer algumas coisas.
Deixo de dizer que te amo
porque dizer que te amo soaria como uma banalidade a mais
nesse mundo cheio de banalidades
e onde habito eu, um poeta das banalidades.
E simplesmente me calo, deixo a barba crescer
escrevo poemas para depois apagá-los de minha lembrança
e esqueço coisas que seriam inesquecíveis
simplesmente porque perdi a capacidade
de reter as coisas boas na minha memória.

Herminio Bello de Carvalho

terça-feira, abril 17, 2007

Vista da minha janela na PRM/Niterói


Lembrando da versão da Leila Pinheiro no CD Bênção Bossa Nova

O Amor em Paz
Vinicius de Moraes
Composição: Tom Jobim

Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

Tocando na rádio cabeça e no meu violão

MOLAMBO
Jayme Florence e Augusto Mesquita


Dm Fm G7
Eu sei que vocês vão dizer
C7M Dm Em A7
Que é tudo mentira, que não pode ser
Dm D7 G7
Porque depois de tudo que ela me fez
Gm7 A7
Eu jamais deveria aceitá-la outra vez
Dm E7
Bem sei que assim procedendo
Am B7
Me exponho ao desprezo de todos vocês
E Db7 Gbm B7
Lamento, mas fiquem sabendo
E G7
Que ela voltou e comigo ficou
Dm Fm G7
Ficou pra matar a saudade
C7M Dm Em A7
A tremenda saudade que não me deixou
Dm D7 G7
Que não me deu sossêgo um momento sequer
Gm7 A7
Desde o dia em que ela me abandonou
Dm Fm
Ficou pra impedir que a loucura
Em A7
Fizesse de mim um molambo qualquer
Dm G7
Ficou desta vez para sempre
C
Se Deus quiser

domingo, abril 08, 2007

Vou aos livros!

Essa semana vai ser brabeira! Quatro provas na faculdade e matéria à beça para estudar. O feriadão foi legal, mas já acabou. Até mais!

MAIS ALEGRIA!



A família está aumentando... Esta é a minha sobrinha e afilhada Thayná, filha da Janaina e do Josinei. Muito fofa! Estamos muito felizes com a sua chegada, há quase dois meses. Vovó Selma, dindo André (bobo, bobo), tia Denize, Vivi, Fernanda e a Bisa Nair estão babando pela nova menina.

segunda-feira, abril 02, 2007

BLOQUEIO

Amigos, só posso postar através do computador de casa, depois que surgiu o novo formato do Blogger, então, fica difícil...

segunda-feira, março 19, 2007




Uma história sobre borboletas (Caio Fernando de Abreu)


É assim mesmo - eu disse. - O mundo fora da minha cabeça tem janelas, telhados, nuvens, e aqueles bichos brancos lá embaixo. Sobre eles, não te detenhas demasiado, pois correrás o risco de transpassá-los com o olhar ou ver neles o que eles próprios não vêem, e isso seria tão perigoso para ti quanto para mim violar sepulcros seculares, mas, sendo uma borboleta, não será muito difícil evitá-los: bastará esvoaçar sobre as cabeças, nunca pousar nelas, pois correrás o risco de ser novamente envolvida pelos cabelos e reabsorvida pelos cérebros pantanosos e, se isso for inevitável, por descuido ou aventura, não deverás te torturar demasiado, de nada adiantaria, procura acalmar-te e deslizar para dentro dos tais cérebros o mais suavemente possível, para não seres triturada pelas arestas dos pensamentos, e tudo é natural, basta não teres medos excessivos - trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Teste

Tentei postar fotos e textos hoje, mas estou achando horrível essa nova versão do Blogger. Que saco!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

DICA LITERÁRIA 2










UMA MARGEM DISTANTE

"A Europa vive "tempos interessantes". Quem possui o hábito de acompanhar o noticiário há de considerar esta afirmação inicial um tanto redundante, vaga e pouco objetiva. Em contrapartida, aqueles menos acostumados com a política internacional também já têm percebido alguma alteração no ambiente e, sobretudo, na forma como o senso comum se refere ao velho mundo. Afinal de contas, e só no ano passado, com a crescente preocupação de terrorismo internacional, entre tantos outros acontecimentos, sobrou até para um cantor de música popular brasileira, o "Seu" Jorge, que foi preso no aeroporto de Londres, sem mencionar a morte do eletricista mineiro Jean Charles de Meneses, que foi baleado pela Scotland Yard sob acusação (como se viu enganosa) de ser terrorista. Coincidência ou não, o romance Uma margem distante, do escritor caribenho Caryl Phillips, traz uma história que flerta com a polêmica da imigração, tema que tem gerado inúmeros debates sobre direitos humanos, justiça social, ética. No romance, Phillips, ao contrário do que se pode esperar, não escreve um libelo político, daqueles que poderiam figurar dentro da perspectiva de "arte engajada". Antes, Uma margem distante é um romance que disserta sobre as relações humanas tendo como pano de fundo, se o trocadilho for permitido, alguns aspectos das relações internacionais."

DICA LITERÁRIA 1


"Bolor foi elaborado sob a forma de um ”diário” em que o autor regista os sinais de um amor que ruiu e acabou, se desfez nos seus traços mais leves ou menos importantes. A gratuitidade dos gestos e palavras, os silêncios e os diálogos inacabados ou sem muito sentido, tudo isso faz desta obra um “diário” de incomunicabilidade, incômodo e muito perturbador. Trata-se de um romance dentro de outro romance."

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Passagens - Walter Benjamin

A propósito do abismo e de "tenho medo do sono como se tem medo de um grande buraco" ("Le Gouffre" ), Nietzsche: "conheceis o terror do homem prestes a adormecer? - Ele se aterroriza dos pés à cabeça porque o chão lhe escapa e começa o sonho." Nietzsche, Zaratrusta, ed. Kröner, Leipzig, p.215.
Tô Só
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP

Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.

* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959

Hilda Hilst

"Sei nada dessa esquiva coisa entranhada no meu ser de dentro"
Cantares do Sem Nome e de Partidas
de Hilda Hilst

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.


"A palavra é só um relâmpago entre duas escuridões"

Wilfred Bion

segunda-feira, janeiro 29, 2007

VIOLÃO













A gente passa um tempão sem se ver, sem se tocar, mas sempre que eu chamo, ele volta correndo para os meus braços e a intimidade se instala, após alguns acordes. Os dedos vão sentindo as cordas gastas, o cheiro da madeira invade a alma e a música vai soando mais bonita, a cada tentativa de cantar e tocar melhor uma querida canção. Eu me procuro em todos os lugares. Reencontro-me no meu velho e bom violão.

UMA NOITE NO MUSEU











Bom para tirar as crianças de casa num dia chuvoso e ainda dar umas boas gargalhadas de fim de férias.
Tempo rei
Gilberto Gil

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

terça-feira, janeiro 23, 2007

VOLTEI!!!














PRAIA DE ITAIPU

Voltei ao trabalho, ao blog e, em breve, irei à faculdade. 2007 está efetivamente começando para mim. Ou será apenas depois do Carnaval, como para a maioria dos brasileiros?

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O SAMBA É MINHA NOBREZA



"A nobreza do samba, já dizia o poeta, impõe-se não somente na riqueza de sua música, mas na elegância dos gestos, dos trajes e da intenção do sambista. A alegoria dos símbolos da nobreza e da aristocracia, que confinavam o negro às senzalas, acabou tendo influência decisiva na gênese do samba. De Sinhô, o “Rei do Samba” na década de 20, ao príncipe Paulinho da Viola, passando pelas Velhas Guardas das escolas-de-samba, a nobreza serve ao mesmo tempo de referência e crítica do sambista à opressão de seus antepassados. Foi inspirado na elegância de mestres do gênero, com quem conviveu durante décadas, de Cartola à Clementina, de Pixinguinha à Dona Ivone Lara, que o produtor Hermínio Bello de Carvalho concebeu o show e o CD duplo O Samba é Minha Nobreza, lançado pela Biscoito Fino. A idéia de Hermínio foi juntar diferentes gerações de sambistas, do octogenário Roberto Silva à atemporal Cristina Buarque, passando pelos representantes da nova guarda carioca do gênero, sob a direção musical – e o violão sete cordas - de Paulão.Sob a expressão “nova guarda” do samba agrupam-se os cantores Pedro Miranda e Pedro Paulo, a cantora e cavaquinista Mariana Bernardes, o violonista Bernardo Dantas, o bandolinista Pedro Aragão, além da participação especial da cantora e compositora Teresa Cristina. Milícia que conta com o reforço de Marcelo Bernardes (flauta), Roberto Marques (trombone), Bernardo Dantas (violão), Pedro Aragão (bandolim), Zé Cruz (chapéu de palha), Trambique e Marcos Esguleba (percussões)."

O CD duplo da Biscoito Fino é tudo de bom, com sambas antigos, de raiz. Vale a pena conferir!

Indicação: ouvir sob o sol, com o céu tinindo de azul e uma tulipa de cerveja bem gelada na mão. Se o tratamento para alegria não der certo, procure o seu terapeuta, mas não interrompa o cd nem a cana, aumente gradativamente a dosagem.

Tudo tem suas compensações....










UM BOM ANO

"Após a morte de seu tio, um homem de negócios visita o vinhedo recebido de herança. Inicialmente ele pensa em vender o lugar, mas as lembranças do local começam a influenciá-lo...

Dirigido por Ridley Scott (Gladiador) e com Russell Crowe, Albert Finney e Freddie Highmore no elenco."

Gostei demais do filme. Saí do cinema com vontade de degustar uns bons vinhos... Vontade de viajar.... Ah, de beijar, beijar e beijar também (isso é importantíssimo!).

A Val tem razão: cinema no meio da semana é o que há!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Karingana ua Karingana = Era uma vez...















Os Fios que as unem...
São mulheres contadoras de histórias. A Silvia é poeta, psicóloga, sanitarista e Mestre em Saúde Pública pela Fiocruz/ENSP; a Claudia é mãe do Iago e do Ariel, também professora e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ; atualmente as duas cursam a Especialização "Brasil & África: Laços e Diferenças" na UCB; a Alyxandra é professora e Mestre em Literatura pela Unicamp, além de mãe da Vytória Odara. Linhas que as entretecem e que as unem: encanto pelas histórias e o desejo de saber de África.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Uma Palavra
Chico Buarque

Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra

Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de luz mais que de vento, palavra

Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em baldo, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra

Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra

Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra

Samba da Mangueira 2007

LÍNGUA PORTUGUESA

Wanderlino Arruda

Mensageira do amor,
timoneira da esperança,
testemunha de muitas lutas,
acompanhante de muitos anseios
no maior cadinho de raças,
que a história já viu.
És mistura, eterna mistura
de lusos, celtas, fenícios
gregos e cartagineses.
És cadinho ibero de romanos e suevos ,
alanos e godos, gente brava germana.
Língua mãe de uma pátria universal,
mestiçagem de antigos árabes
luta e trabalho da raça africana,
mescla de sangue da América.
És história de muitas conquistas,
na guerra, na paz,
no desfrute, na tristeza,
na opressão, na liberdade,
acima de tudo, ó Língua Portuguesa,
és o canto maior de uma raça,
de homens e mulheres
que ampliaram fronteiras.
Altaneira na humildade,
és soberana e criativa na formação
de uma nova gente
mesclada raça lusitana.

Final-de-semana com os primos Amanda e Lucas.

Comemorando....



















Com os amigos da Procuradoria/RJ - 22/11/2006



















No Honesto - 11/11/06



















Cantando parabéns com Fernanda e Lelei - 12/12/06.

quinta-feira, novembro 16, 2006

VOLVER - Almodóvar











"O filme retrata três gerações de mulheres de uma mesma família originária de um vilarejo “manchego”: Raimunda (Penélope Cruz), que tem o marido assassinado por sua filha (Yohana Cobo) após a jovem sofrer uma tentativa de violência sexual; sua irmã Sole (Lola Dueñas), que ganha a vida como cabeleireira; e sua mãe Irene (Carmen Maura), que, depois de anos dada como morta, surge como uma aparição primeiro para Sole e em seguida para Raimunda, com quem tenta se reconciliar por problemas do passado."

Acho que comecei bem, pois no meu primeiro dia de trabalho - na PRM/Niterói - deu tempo até de pegar um cineminha, antes de ir para a faculdade. Beleza!

quinta-feira, novembro 09, 2006

10/11/06

"Não quero luxo nem lixo,
Meu sonho é ser imortal, meu amor
Não quero luxo nem lixo
Quero saúde pra gozar no final!"

Rita Lee


LANÇA PERFUME

Lança menina,
Lança todo esse perfume
Desbaratina,
Não dá pra ficar imune!
Ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca!
Vem cá meu bem,
Me descola um carinho,
Eu sou neném,
Só sossego com beijinho,
Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo!
Me aqueça,
Me vira de ponta-cabeça,
Me faz de gato e sapato,
Me deixa de quatro no ato,
Me enche de amor!
LANÇA, LANÇA PERFUME

Eu me dei de presente o cd da Rita Lee, com a mesma capa e músicas do vinil lançado quando eu tinha a idade da Larissa (entre 7 e 8 anos). Naquele tempo, eu dançava essas músicas na varanda da casa dos meus pais (ex-Barreto Summer's Club) com meu primo Alexandre, e achava que a gente um dia iria se casar... Nossa, faz tanto tempo! E ainda sou tão jovem, tão jovem. Temos todo o tempo do mundo? Acho que sim. Há um longo caminho a percorrer.

Thau, inferno astral!

Estou feliz, aos 36 anos!

terça-feira, novembro 07, 2006

Isso é arte?
Leonardo Esteves

“Arte é para ser bonita?”, perguntou-me um dia desses, na saída de uma aula de Didática, um aluno de licenciatura em Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E sendo eu o único representante das artes naquela sala, não tive como “escapar” da sua curiosidade. “Arte é para ser bonita?”, voltou a perguntar como se eu não tivesse compreendido. “Pois para mim, tem que ser!”, continuou respondendo a si próprio. E mesmo não querendo comprar a briga, me vi na obrigação de responder: Não, não é! Mas eu posso explicar, completei.

De fato, o ideal de beleza é bastante relativo. Para Platão, por exemplo, a beleza é aquilo que confere a característica de belo a algum objeto, assim como a justiça confere a característica do justo. É lógico que a História da Arte viu diversas formas de beleza para a concepção de suas obras. No Egito, por exemplo, quanto mais fiel fosse a representação, melhor. Mas como classificaríamos as obras renascentistas – com sua perfeição cromática, tridimensional e anatômica – diante das pinturas egípcias? Quais são as mais belas? Se entendermos que no Egito as representações seguiam “esquemas” de figuras frontais e sem tridimensionalidade, enquanto no Renascimento os estudos de perscpectiva e anatomia de Leonardo Da Vinci resultaram em obras completamente diferentes, concluiremos que o conceito de “belo” havia mudado.

Mas a Arte não parou no Renascimento. Os movimentos que seguiram usaram mesmas conquistas para enganar nossos olhos e transformar a tela – bidimensional – em uma janela com luz e profundidade. E nós acreditamos em tudo até Monet trazer a tinta para fora do quadro e mostrar que os responsáveis pela formação das imagens eram os nossos próprios olhos. Estava para nascer a pintura moderna.

Hoje a arte é sincera, não engana mais. Nem pode! As técnicas foram dominadas por todos. Marcel Duchamp questionou o sistema de arte com seu mictório batizado de “La Fontaine”, dando origem ao que se entende por “ready-mades”. E como nos tempos antigos, a arte continua falando de coisas que a circundam. Os mitos, crenças e valores foram “revistos” e hoje recaem sobre a fauna de objetos, imagens e informações que nos cercam. A Pop Art é o maior exemplo disso. Ao esculpir donas-de-casa americanas empurrando carrinhos de supermercados repletos de enlatados, e ao multiplicar o rosto de estrelas holliwoodianas em diversas cores, a arte afirmava: esses são os seus novos valores! Foi na sociedade de consumo, inaugurada pelo “american way of life”, que os objetos ganharam novos significados e deixaram de ter importância somente pelo aspecto da sua funcionalidade. Eles passaram a ser sinômimo de status. O apelo das cores, formas, tamanhos – e até do preço – faz com que cada objeto signifique algo além daquilo para o que foi produzido. Uma calça jeans é – além de uma peça do vestuário – sinômimo de juventude, rebeldia, informalidade; assim como uma boneca Barbie que – além de um brinquedo – é um padrão de beleza e estilo de vida defendido pelo próprio slogan publicitário: “é tudo o que você quer ser”.

É nesse sentido que devemos ver a Arte Contemporânea. Restou ao artista usar de uma poética própria que envolvesse os conhecimentos obtidos na sociedade durante esses séculos, somando esses conceitos numa obra plástica provocadora, não no sentido agressivo da palavra, mas sim, no sentido de que a arte deve proporcionar uma nova leitura do mundo. Portanto, só será possível “ler as entrelinhas” da obra aquele espectador que se permitir relacionar as suas percepções, lembranças, vivências e conhecimentos diante daquele estímulo visual. A obra de arte já não é mais tão direta (coisa que na verdade nunca foi, diga-se de passagem), e só se permite ser contemplada com a participação ativa do espectador. É nele que o significado se fecha. Logicamente, como tudo que se faz no tempo presente, existem trabalhos bons e trabalhos ruins. Além disso, como a multiplicidade do mundo moderno, a Arte Contemporânea tem diversas formas de expressar essas novas poéticas, o que permite que trabalhos tão diferentes se aproximem e se distanciem na medida em que novas proposições são feitas.

E àquela pergunta restou-me explicar que, talvez, meu colega de turma não quisesse dizer “bonita”, mas sim, “agradável”. Poeticamente é bela – respondi – mais no seu significado do que na sua aparência. Estava ali o tempo todo para provocar, mesmo que subjetivamente, causando percepções boas ou ruins. E conseguiu o que queria, finalizei. Portanto, quando estiver diante de uma obra de arte contemporânea procure ver além daquilo que você efetivamente vê. Nesse “jogo” estão envolvidos o material, as proporções, as relações com o espaço e com o espectador, além da própria re-significância daquilo que está sendo inicialmente proposto. Nada está ali por acaso. Dessa forma você pensará duas vezes antes de repetir a frase – Isso é arte? – diante daquela obra (de arte, é claro!).

Leonardo Esteves
Formando do curso de Artes Plásticas (bacharelado e licenciatura) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro