"Se uma felicidade, um anseio por uma nova felicidade, é, em certo sentido, o que mantém o vivente preso à vida e continua impelindo-o para ela, então talvez nenhum filósofo tenha mais razão do que o cínico: pois a felicidade do animal como a do cínico perfeito é a prova viva da razão do cinismo. A mínima felicidade, contanto que seja ininterrupta e faça feliz, é incomparavelmente maior do que a maior do que a maior felicidade que só venha episodicamente, como capricho, como um incidente desvairado, entre puro desprazer, desejo e privação. No entanto, em meio à menor como em meio à maior felicidade é sempre uma coisa que torna a felicidade o que ela é: o poder-esquecer ou, dito de maneira mais erudita, a faculdade de sentir a-historicamente durante a sua duração. Quem não pode se instalar no limiar do instante, esquecendo todo o passado, quem não consegue firmar pé em um ponto como uma divindade da vitória sem vertigem e sem medo, nunca saberá o que é felicidade, e ainda pior: nunca fará algo que torne os outros felizes."
Nietzsche
adj. s.m. FARM 1 que ou o que combate os efeitos de uma toxina ou veneno (diz-se de substância, medicamento, soro). s.m. 2 p.ext. o que evita ou corrige (vício, defeito, estado de depressão psicológica, paixão etc.); corretivo, remédio. ETIM lat. antidôtum,i'id.', do gr. antidoton, ou 'id'. Dicionário Houaiss
quarta-feira, abril 25, 2007
LABIRINTO
Acho bonito falar alemão.
Por isso, talvez, eu não queira aprender a falar alemão.
Se eu falasse alemão
as pessoas iriam dizer, simplesmente, "ele fala alemão"
e aí perderia a graça.
A graça está em achar bonito falar alemão.
Por isso, às vezes,
eu deixo de fazer algumas coisas.
Deixo de dizer que te amo
porque dizer que te amo soaria como uma banalidade a mais
nesse mundo cheio de banalidades
e onde habito eu, um poeta das banalidades.
E simplesmente me calo, deixo a barba crescer
escrevo poemas para depois apagá-los de minha lembrança
e esqueço coisas que seriam inesquecíveis
simplesmente porque perdi a capacidade
de reter as coisas boas na minha memória.
Herminio Bello de Carvalho
Acho bonito falar alemão.
Por isso, talvez, eu não queira aprender a falar alemão.
Se eu falasse alemão
as pessoas iriam dizer, simplesmente, "ele fala alemão"
e aí perderia a graça.
A graça está em achar bonito falar alemão.
Por isso, às vezes,
eu deixo de fazer algumas coisas.
Deixo de dizer que te amo
porque dizer que te amo soaria como uma banalidade a mais
nesse mundo cheio de banalidades
e onde habito eu, um poeta das banalidades.
E simplesmente me calo, deixo a barba crescer
escrevo poemas para depois apagá-los de minha lembrança
e esqueço coisas que seriam inesquecíveis
simplesmente porque perdi a capacidade
de reter as coisas boas na minha memória.
Herminio Bello de Carvalho
terça-feira, abril 17, 2007
Lembrando da versão da Leila Pinheiro no CD Bênção Bossa Nova
O Amor em Paz
Vinicius de Moraes
Composição: Tom Jobim
Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinicius de Moraes
Composição: Tom Jobim
Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Tocando na rádio cabeça e no meu violão
MOLAMBO
Jayme Florence e Augusto Mesquita
Dm Fm G7
Eu sei que vocês vão dizer
C7M Dm Em A7
Que é tudo mentira, que não pode ser
Dm D7 G7
Porque depois de tudo que ela me fez
Gm7 A7
Eu jamais deveria aceitá-la outra vez
Dm E7
Bem sei que assim procedendo
Am B7
Me exponho ao desprezo de todos vocês
E Db7 Gbm B7
Lamento, mas fiquem sabendo
E G7
Que ela voltou e comigo ficou
Dm Fm G7
Ficou pra matar a saudade
C7M Dm Em A7
A tremenda saudade que não me deixou
Dm D7 G7
Que não me deu sossêgo um momento sequer
Gm7 A7
Desde o dia em que ela me abandonou
Dm Fm
Ficou pra impedir que a loucura
Em A7
Fizesse de mim um molambo qualquer
Dm G7
Ficou desta vez para sempre
C
Se Deus quiser
Jayme Florence e Augusto Mesquita
Dm Fm G7
Eu sei que vocês vão dizer
C7M Dm Em A7
Que é tudo mentira, que não pode ser
Dm D7 G7
Porque depois de tudo que ela me fez
Gm7 A7
Eu jamais deveria aceitá-la outra vez
Dm E7
Bem sei que assim procedendo
Am B7
Me exponho ao desprezo de todos vocês
E Db7 Gbm B7
Lamento, mas fiquem sabendo
E G7
Que ela voltou e comigo ficou
Dm Fm G7
Ficou pra matar a saudade
C7M Dm Em A7
A tremenda saudade que não me deixou
Dm D7 G7
Que não me deu sossêgo um momento sequer
Gm7 A7
Desde o dia em que ela me abandonou
Dm Fm
Ficou pra impedir que a loucura
Em A7
Fizesse de mim um molambo qualquer
Dm G7
Ficou desta vez para sempre
C
Se Deus quiser
domingo, abril 08, 2007
Vou aos livros!
Essa semana vai ser brabeira! Quatro provas na faculdade e matéria à beça para estudar. O feriadão foi legal, mas já acabou. Até mais!
MAIS ALEGRIA!
segunda-feira, abril 02, 2007
BLOQUEIO
Amigos, só posso postar através do computador de casa, depois que surgiu o novo formato do Blogger, então, fica difícil...
segunda-feira, março 19, 2007

Uma história sobre borboletas (Caio Fernando de Abreu)
É assim mesmo - eu disse. - O mundo fora da minha cabeça tem janelas, telhados, nuvens, e aqueles bichos brancos lá embaixo. Sobre eles, não te detenhas demasiado, pois correrás o risco de transpassá-los com o olhar ou ver neles o que eles próprios não vêem, e isso seria tão perigoso para ti quanto para mim violar sepulcros seculares, mas, sendo uma borboleta, não será muito difícil evitá-los: bastará esvoaçar sobre as cabeças, nunca pousar nelas, pois correrás o risco de ser novamente envolvida pelos cabelos e reabsorvida pelos cérebros pantanosos e, se isso for inevitável, por descuido ou aventura, não deverás te torturar demasiado, de nada adiantaria, procura acalmar-te e deslizar para dentro dos tais cérebros o mais suavemente possível, para não seres triturada pelas arestas dos pensamentos, e tudo é natural, basta não teres medos excessivos - trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas.
domingo, fevereiro 25, 2007
Paul Auster (Entre Livros nº 22)

"Creio que a arte é uma enfermidade, você se infecta e não se recupera. Todos os artistas, mesmo que não queiram enxergar, são pessoas que sofrem, pessoas que não se encaixam neste mundo e buscam outro. Há pessoas que se acomodam com sua mente, com seu corpo, com sua maneira de ser. Eu as admiro, mas não sou dessas."
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Teste
Tentei postar fotos e textos hoje, mas estou achando horrível essa nova versão do Blogger. Que saco!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
DICA LITERÁRIA 2

UMA MARGEM DISTANTE
"A Europa vive "tempos interessantes". Quem possui o hábito de acompanhar o noticiário há de considerar esta afirmação inicial um tanto redundante, vaga e pouco objetiva. Em contrapartida, aqueles menos acostumados com a política internacional também já têm percebido alguma alteração no ambiente e, sobretudo, na forma como o senso comum se refere ao velho mundo. Afinal de contas, e só no ano passado, com a crescente preocupação de terrorismo internacional, entre tantos outros acontecimentos, sobrou até para um cantor de música popular brasileira, o "Seu" Jorge, que foi preso no aeroporto de Londres, sem mencionar a morte do eletricista mineiro Jean Charles de Meneses, que foi baleado pela Scotland Yard sob acusação (como se viu enganosa) de ser terrorista. Coincidência ou não, o romance Uma margem distante, do escritor caribenho Caryl Phillips, traz uma história que flerta com a polêmica da imigração, tema que tem gerado inúmeros debates sobre direitos humanos, justiça social, ética. No romance, Phillips, ao contrário do que se pode esperar, não escreve um libelo político, daqueles que poderiam figurar dentro da perspectiva de "arte engajada". Antes, Uma margem distante é um romance que disserta sobre as relações humanas tendo como pano de fundo, se o trocadilho for permitido, alguns aspectos das relações internacionais."
DICA LITERÁRIA 1

"Bolor foi elaborado sob a forma de um ”diário” em que o autor regista os sinais de um amor que ruiu e acabou, se desfez nos seus traços mais leves ou menos importantes. A gratuitidade dos gestos e palavras, os silêncios e os diálogos inacabados ou sem muito sentido, tudo isso faz desta obra um “diário” de incomunicabilidade, incômodo e muito perturbador. Trata-se de um romance dentro de outro romance."
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Passagens - Walter Benjamin
A propósito do abismo e de "tenho medo do sono como se tem medo de um grande buraco" ("Le Gouffre" ), Nietzsche: "conheceis o terror do homem prestes a adormecer? - Ele se aterroriza dos pés à cabeça porque o chão lhe escapa e começa o sonho." Nietzsche, Zaratrusta, ed. Kröner, Leipzig, p.215.
Tô Só
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959
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